Nossa preocupação ambiental geralmente se direciona à produção de descartes realizados aqui na Terra, desconsiderando que os detritos deixados no nosso espaço orbital também se transformam em graves ameaças, constituindo o denominado lixo espacial.
Em paralelo às preocupações relacionadas à exploração espacial, o lixo espacial gera incidentes, acidentes e dificuldades ao nosso planeta, consequentemente aos humanos.
Temos consciência de que o lixo espacial é um dos grandes problemas do nosso planeta, gerando impactos ambientais, afetando a saúde dos humanos, intervindo na qualidade de vida e oferecendo riscos à vida na Terra.
Após atingirem a finalidade e se tornarem inoperantes, perdendo utilidade, foguetes, satélites, sondas e outros equipamentos operacionais similares permanecem em órbita planetária, em unidades completas ou parciais, se transformando em lixo espacial que, em algum momento, retornará ao planeta por meio da ação gravitacional.
Além das origens citadas, partes substituídas em estações planetárias, peças que restam de missões espaciais, componentes de uso temporário em operações, ferramentas, parafusos e muitas outras unidades, inclusive excrementos humanos líquidos e sólidos, são transformados em lixo espacial.
Somente os satélites lançados desde o início das operações espaciais somam mais de 13 mil unidades no espaço. Muitos deles não estão mais em operação, se transformando em parte do nosso lixo espacial.
Há alguns anos astrofísicos, astrônomos, especialistas e integrantes da NASA e da ESA – Agência Espacial Europeia -, estimaram termos mais de 130 milhões de detritos espaciais, perfazendo mais de 8 mil toneladas de material em movimento no nosso espaço planetário.
Calculam que, orbitando a Terra, além dos maiores, existem mais de 23 mil detritos com pouco mais de 10 cm, 500 mil partículas entre 1 e 10 cm, e mais de 100 milhões menores que 1 cm, incluindo até fragmentos de tintas que se desprendem por excesso de temperatura ou devido a micros impactos.
Quando um detrito orbital colide com satélite, o danificando parcial ou totalmente, pode originar outras centenas ou milhares de fragmentos. Mesmo os minimamente pequenos são suficientes para causar danos significativos em unidades colididas, grandes e pequenas, principalmente em razão da velocidade no movimento de colisão.
Agravando, danos em satélites de comunicação ativos podem provocar falhas ou interrupções em vitais serviços na Terra, de televisão, telefone, rádio, internet, orientação geográfica e espacial, e outros.
Além dos riscos possíveis contra os habitantes da Terra, ao se projetarem à superfície do planeta, outro dos graves problemas decorrentes do lixo espacial é sua colisão contra veículos tripulados ativos em órbita terrestre, incluindo astronautas operando externamente aos seus veículos espaciais.
Outras das consequências de lixo espacial descontrolado é o possível desequilíbrio do meio ambiente, causando danos à florestas, oceanos e seres marinhos e terrestres.
Resumindo; lixo espacial gera graves problemas, principalmente em razão do intenso aumento na exploração espacial, e do crescente número de satélites e sondas em órbita.
É essencial e urgente o desenvolvimento de tecnologias que consigam mitigar esses impactos, garantindo sustentabilidade útil na exploração espacial e atividades humanas.
Projetos com esse direcionamento já existem. A esperança é que sejam efetivados com sucesso, rapidamente.
Fontes; pesquisas diversas na Internet.
Paulo Dirceu Dias
paulodias@pdias.com.br
Sorocaba – SP
25/05/2024